11 de janeiro de 2010

Psiquiatra e veterinário: “progesterex é uma farsa”

“Embora a mensagem contenha algumas informações verdadeiras, o Progesterex não existe”, desmacara o psiquiatra e professor André Malbergier, coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (Grea) da Faculdade de Medicina da USP. “Essa droga é uma farsa.”

O Progesterex é, na verdade, um hoax. Começou a circular por e-mail em 1999 e reaparece de vez em quando. Tem até verbete na Wikipédia. Dá-se o nome de hoax ("embuste" numa tradução literal) a histórias falsas recebidas por email, cujo conteúdo consiste em apelos dramáticos, supostas campanhas filantrópicas, humanitárias ou de socorro pessoal.

“Em veterinária, também não existe essa droga”, acrescenta o médico veterinário Rubens Paes de Arruda, professor da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, campus de Pirassununga, interior de São Paulo. “Há 21 anos trabalho com reprodução de eqüinos e bovinos; nunca ouvi falar do Progesterex.”

Tanto na medicina humana quanto na veterinária utiliza-se progesterona em casos selecionados. “É o hormônio da gravidez”, explica o professor Rubens Paes. “Quando o animal está perdendo a cria, nós administramos progesterona, para tentar segurar a gestação. Em hipótese alguma provoca esterilidade nas fêmeas. Também não causa esterilidade em mulheres.”

Já o Rophynol, que seria utilizado junto, existe, sim. Trata-se de um remédio indutor do sono que pode causar amnésia de acontecimentos imediatamente anteriores à hora em que é tomado, dificultando, assim, a recordação desses fatos.

“Mas é principalmente o consumo de bebida alcoólica que está associado a estupros e violência sexual”, adverte o psiquiatra André Malbergier. “O álcool, sozinho, é capaz de facilitar toda essa violência. Já se for misturado com o Rophynol,  a pessoa também não se recorda do que aconteceu.”

ÁLCOOL ENVOLVIDO EM 30% A 70% DAS VIOLÊNCIAS SEXUAIS

O álcool age em todo o corpo, especialmente no cérebro. Desinibe as pessoas. Isso pode fazer com que, por exemplo, um homem agressivo libere esse traço de personalidade e obrigue a parceira a fazer sexo contra a vontade, na marra. Há ainda homens com distúrbios sexuais que, destravados pelo álcool, partem para o estupro.

“Os estudos mostram que em 30% a 70% dos casos de violência sexual, o agressor ou a vítima estava sob efeito de álcool”, avisa Malbergier.

O que fazer para se proteger? A primeira medida você já adivinhou: evite o consumo excessivo de álcool. Isso protege homens e mulheres de todos malefícios da bebida. O prazer se consegue com baixas doses. A segunda, parece chover no molhado, mas não é.

“Antigamente, alertávamos as crianças para não pegar doce, pipoca, refrigerante, de estranhos”, justifica Malbergier. “Hoje, com a proliferação dos golpes com o álcool, temos que alertar também jovens e adultos, especialmente as mulheres. Rejeitem bebida de quem vocês não conhecem.”

“Rejeitar mesmo aquela provadinha?!”

“Com certeza”, aconselha Malbergier. “Compre a sua própria bebida. É o único jeito de ter certeza de que a sua não está ‘batizada’ com soníferos. Mesmo assim, com moderação – sempre!”


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